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02/02/2012 - 18:11:00

A Sucessão Apostólica na ICAB


O rumo e as conclusões da discussão da validade ou não dos Sacramentos celebrados pelos Ministros ordenados na e pela Igreja Católica Apostólica Brasileira – ICAB e a Sucessão Apostólica que ela conserva e que a conserva, que legitima a validade e a licitude destes Sacramentos, depende também de como entendemos, reconhecemos e valorizamos o Sacramento da Ordem, e a plenitude deste Sacramento manifestado na Ordem dos Bispos ou Episcopado, de como nos situamos dentro da teologia deste Sacramento; e, por outro lado, como entendemos, reconhecemos e valorizamos a excomunhão: de um lado, temos pessoas chamadas a unir e supervisionar, a pastorear o rebanho de Jesus Cristo, a Exemplo dele, o Bom Pastor; de outros, temos alguém que se arvora juiz supremo, como que ocupando o Trono de Deus, separando, excluindo (pretendendo separar e excluir) e anematizando pessoas que têm opiniões contrárias a ele e que discutem sua pretensa indiscutível autoridade infalível.

Compreendemos que Jesus Cristo entregou a todos os Apóstolos (cf. Jo 20,19-23), portanto a todos os Bispos, o Poder das Chaves que eles devem usá-lo quando reunidos em Concilio, a exemplo do que aconteceu em Jerusalém (cf. At 15) e nos seguintes Sete Concílios Ecumênicos. A Sucessão Apostólica está aonde a fé das pessoas, reunidas com seu Bispo, e este validamente ordenado, independente de quem seja, é preservada pelo Espírito Santo e não pode ser monopolizada nem geograficamente nem individualmente. A fé católica e apostólica está nas comunidades que vivem-testemunham a igreja-comunidade dos convocados pelo Senhor, reunidos com seus Bispos, centrada no Batismo e na Eucaristia, e são organizadas e supervisionadas por estes mesmos Bispos.

Ainda neste pensamento, quando Jesus entrega as Chaves para São Pedro em Mateus 16, 13-19, podemos entender que Pedro representava ali todos os Bispos, se não, como entender que São João, em João 19, 26-27, representaria toda a humanidade e que, portanto, Jesus nos daria Maria Santíssima como nossa Mãe? Se entendermos que o poder das Chaves foi dado exclusivamente à Pedro, temos duas opções: a primeira na qual Pedro não o passou para outros. Fiquemos com a segunda: São Pedro, como Bispo (e não como papa, que é uma construção muito posterior), mesmo que líder dos Apóstolos o passa para outro, um seu sucessor, a quem chamamos Bispo; e para quem foi? Ao segundo Bispo de Antioquia, onde São Pedro fora Bispo? Ao segundo Bispo da então capital Província da Babilônia, de onde Pedro escreve sua Primeira Carta (cf. 1Pe 5,13) e provavelmente também a Segunda. Os Bispos católicos romanos da cidade de Roma não recebem sua sucessão direta de São Pedro, para entendermos esta afirmação, pensemos que quem sagrou Bispo ao Papa João Paulo II foi o Arcebispo Eugenio Baziak, que não fora Bispo de Roma e que vem da linha sucessória do Cardeal Rebiba, a mesma de Dom Carlos Duarte Costa, portanto, se na linha sucessória episcopal, o Bispo Karol Wojtila, descende de São Pedro, São Carlos do Brasil também!! O mesmo podemos afirmar do atual Papa Bento XVI, que foi sagrado Bispo por Dom Josef Stangl, que também não era Bispo de Roma, da mesma linhagem apostólica dos Cardeais Rebiba e Santorio, da qual São Carlos do Brasil recebera a Sucessão Apostólica... Portanto, quanto ao Episcopado, São Carlos do Brasil é tão Bispo sucessor de Pedro quanto os Papas João Paulo e Bento.

O Sacramento da Ordem é algo inviolável, “imprime caráter”, como disse Tomas de Aquino, enquanto que a excomunhão é algo administrativo e que diz respeito apenas à quem se sujeita a ela ou segue doutrinas que a aceitam e a impõem.

Porque alguém usurpa o Poder das Chaves, dado a todo o Colégio dos Bispos, e arvora então, como um “super bispo”, a ter o direito de controlar os outros Bispos, tão Bispo quanto ele, assumindo e demonstrando poderes sacerdotais do antigo e decaído sumo-sacerdócio pagão, alheio e hostil ao cristianismo primevo e esta pessoa têm a pretensão de só ela, ligar e desligar?

Não encontramos nas Sagradas Escrituras, nem na sadia Tradição, justificativas ou fundamento para colocarmos a autoridade episcopal, e os direitos e deveres que ela impõe à uma pessoa válida e licitamente sagrada Bispo, e o direito de excomungar como valores e prerrogativas equivalentes.

Tradição é a presença permanente da Palavra e da Vida de Jesus Cristo no Povo de Deus, a Igreja, Seu Corpo, sinal do Reino pretendido e anunciado por Jesus Cristo e é conservada fielmente pelos Bispos, reunidos em Colégio, mesmo que os costumes e as culturas dos povos, as tradições litúrgicas e questões administrativas os tornem aparentemente diferentes, esta é a característica da catolicidade da Igreja: anunciar o Evangelho livre e libertador, o único Evangelho que há, para todas as pessoas em todas as culturas, em todos os tempos e em todos os lugares.

E a Palavra e a Vida, a Tradição, para estar presente, têm necessidade de testemunhas. E isto é recíproco: por um lado, a Palavra e a Vida têm necessidade da pessoa que as testemunham, e, por outro, a pessoa que as testemunham, está ligada à Palavra e à Vida que testemunhou e que lhe foi confiada e que ela não inventou. Esta reciprocidade entre conteúdo da Palavra de Deus e da Vida do Senhor, e da pessoa que lhes dá continuidade é característica da estrutura episcopal da Igreja Católica (e da Ortodoxa).

Jesus Cristo convoca os Doze, tão diversos, nos quais estava representada a diversidade católica do Povo de Deus. Na fidelidade ao mandamento recebido do Senhor (cf. Mt 28,19-20), depois da Sua Ascensão, primeiro os Onze refazem o seu número de Doze com a eleição de Matias no lugar de Judas (cf. At 1,15-26), e depois associam progressivamente outros nas funções que lhe foram confiadas, para que continuem o ministério que eles receberam do Senhor, conforme as necessidades e inspirados, instruídos, pelo Espírito Santo que os ensina todas as coisas (cf. Jo 16,12-15). O próprio Ressuscitado chama Paulo (cf. Gl 1,1), mas Paulo, mesmo sendo chamado pelo Senhor (Cf. 2Cor 1,1), confronta o seu Evangelho com o Evangelho dos Doze (cf. Gl 1,18), preocupa-se em transmitir o que recebeu (cf. 1Cor 11,23; 15,3-4) e na distribuição das tarefas é associado aos Apóstolos, juntamente com outros, por exemplo, com Barnabé (cf. Gl 2,9) e tendo a mesma autoridade que Pedro, Tiago, João... Jesus Ressuscitado é quem chama Paulo, mas o ministério lhe é dado pelos outros que já tinham sido chamados e instituídos no ministério apostólico, mediante a oração e a imposição das mãos e assim o envio de outros acontecerá, na força do Espírito, sucessivamente, por obra de quem já foi constituído neste mesmo ministério apostólico. Este ministério a partir da segunda geração de cristãos e de cristãs se chamará ministério episcopal. Paulo nos apresenta como que “um quinto Evangelho”, mas este “Evangelho de Paulo”, tão característico ad gentes, está confrontado, embasado, na Tradição/Testemunho dos Doze e não apenas no testemunho de Pedro.

A palavra Bispo é a forma portuguesa do grego "epíscopos", que indica alguém que tem uma visão do alto, alguém que olha com o coração e que do alto supervisiona com o coração.

São Pedro, na sua Primeira Carta, chama ao Senhor Jesus "pastor e bispo, guarda das vossas almas" (2,25). E segundo este modelo do Senhor, que é o Único Primeiro Bispo, Guarda e Pastor das almas, os sucessores dos Apóstolos chamaram-se sucessivamente “bispos”, "epíscopoi", “episcopus”. A eles é confiada a função do "epoiscopé", “supervisão”. Esta função do Bispo evoluirá progressivamente, em relação ao início, até assumir a forma já claramente confirmada em Inácio de Antioquia no início do século II (Ad Magnesios, 6, 1: PG 5, 668) da tríplice ordem de Bispo, Presbítero e Diácono. É um desenvolvimento guiado pelo Espírito Santo de Deus, que assiste a Igreja no discernimento das formas autênticas da sucessão apostólica, sempre melhor definidas entre uma pluralidade de experiências e de formas carismáticas e ministeriais, presentes nas comunidades das origens e ainda hoje as encontramos nas tão diversas e diferentes formas que as pessoas encontram de viver o cristianismo ou de definirem-se como “a igreja de Jesus Cristo”; no entanto, a ICAB, assim como as Igrejas Ortodoxas e a Romana, tem a continuidade legitima da ininterrupta Sucessão Apostólica e cada vez mais a ICAB, por seus Bispos que a dirigem reunidos em Concilio, são zelosos guardiões desta linhagem apostólica. Guardar a legitimidade autêntica da sucessão apostólica é também uma garantia contra as variantes, as vezes perigosas ou perniciosas, de se tentar viver a Verdade revelada por Jesus Cristo aos Apóstolos.

Compreendemos assim que a sucessão na ordem episcopal é a continuidade do ministério apostólico, garantia da perseverança na Tradição Apostólica, Palavra e Vida, que o Senhor nos confiou. O vínculo entre o Colégio dos Bispos e a comunidade originária dos Apóstolos deve ser compreendido antes de tudo na linha da continuidade histórica e conjuntamente (mas não dependente dela) a fidelidade da pessoa do Bispo à Palavra e a Vida do Senhor Jesus. Como vimos, aos Onze são depois associados Matias, Paulo, Barnabé, e em seguida outros, até à formação na segunda e na terceira geração, do ministério do Bispo. Por conseguinte, a continuidade exprime-se nesta sucessão histórica. E na continuidade da sucessão encontra-se a garantia do perseverar, na continuidade eclesial, do Colégio Apostólico reunido por Cristo.

Mas esta continuidade, que vemos primeiro na continuidade histórica dos ministros, deve ser vista também em sentido espiritual, porque a Sucessão Apostólica no ministério é considerada como lugar privilegiado da ação e da transmissão do Espírito Santo. Temos um reflexo claro destas convicções, por exemplo, no seguinte texto de Santo Irineu de Lion (século II): "A tradição dos Apóstolos, manifestada em todo o mundo, mostra-se em cada Igreja a todos os que desejam ver a verdade e nós podemos enumerar os Bispos estabelecidos pelos Apóstolos nas Igrejas e os seus sucessores até nós... Os Apóstolos de fato quiseram que aqueles que deixavam como sucessores fossem absolutamente perfeitos e irrepreensíveis em tudo, transmitindo-lhes a própria missão de ensinamento. Se eles tivessem compreendido corretamente, dele teriam tirado grande proveito; se, ao contrário, falhassem, teriam obtido um dano gravíssimo" (Adversus haereses, III 3, 1: PG 7, 848).

Santo Irineu indicando que a garantia do perseverar na Palavra do Senhor está em permanecer na sucessão apostólica, destaca a Tradição da fé, que nela chega até nós pelos Apóstolos mediante a sucessão dos Bispos. Desta forma, para Irineu e para a Igreja universal, a Sucessão Episcopal da Igreja torna-se o sinal, o critério e a garantia da transmissão ininterrupta da fé apostólica. A sucessão apostólica verificada com base na comunhão episcopal, é, portanto, o critério da permanência de cada uma das Igrejas diocesanas, e seus Bispos reunidos em Concilio, na Tradição da comum fé apostólica, que através deste canal pôde chegar até nós desde as origens: "Com esta ordem e com esta sucessão chegaram até nós a tradição que existe na Igreja a partir dos Apóstolos e a pregação da verdade. Esta é a prova mais completa que una e única é a fé vivificante dos Apóstolos, que foi conservada e transmitida na verdade" (ibid., III, 3, 3; PG 7, 851).

Segundo estes testemunhos da Igreja antiga, a apostolicidade da comunhão eclesial consiste na fidelidade ao ensinamento e à prática dos Apóstolos, através dos quais é garantido o vínculo histórico e espiritual da Igreja com Cristo. A Sucessão Apostólica do Ministério Episcopal é o caminho que garante a fiel transmissão do testemunho apostólico. O que os Apóstolos testemunharam, hoje os Bispos testemunham. O que os Apóstolos representam no relacionamento entre o Senhor Jesus e a Igreja das origens, representa-o analogamente a sucessão ministerial no relacionamento entre a Igreja das origens e a Igreja atual. Não é uma simples concatenação material; é o instrumento histórico do qual o Espírito Santo se serve para tornar presente o Senhor Jesus, o Único Cabeça, o Único Chefe do Seu povo, através de quantos são ordenados/sagrados para o Ministério através da imposição das mãos e da oração dos Bispos. Mediante a Sucessão Apostólica é Cristo que nos alcança: na palavra dos Apóstolos e dos seus sucessores, é Ele quem nos fala; mediante as suas mãos é Ele quem age nos Sacramentos; no olhar deles é o Seu Olhar que nos envolve e nos faz sentir amados, acolhidos no Coração de Deus. E também hoje, como no início, o próprio Cristo é o Verdadeiro “Pastor e Guarda” das nossas almas, que nós seguimos com grande confiança, gratidão e alegria unidos aos nossos Bispos que reconhecemos em Cristo, nossos pais espirituais.

A pretensa excomunhão sofrida por Dom Carlos Duarte Costa, o São Carlos do Brasil, não invalida as ações sacramentais que o próprio Cristo fez através dele e tem feito através dos sucessores de São Carlos do Brasil, que são legítimos sucessores dos Apóstolos.

 

PS: Note que não me referi a Dom Salmão Ferraz, que sagrado Bispo por São Carlos do Brasil, já na ICAB, é recebido depois, como Bispo de Eleuternia, na igreja romana, e nomeado para Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, sem ser “reordenado”, nem sub conditione ou Dom Orlando Arce Moya que também recebido na igreja Romana como Bispo é nomeado para Bispo Auxiliar da Arquidiocese romana de Madri, tampouco é “reordenado”, ou ainda Dom Raimundo Simplicio de Almeida, que sagrado por Dom Pedro dos Santos Silva, em 1961, também é recebido naquela igreja, na Arquidiocese de Fortaleza, onde faleceu, na qualidade de Bispo Auxiliar, no ano de 2010...

E não me referi a eles porque acredito que este argumento, posto que válido, desnecessário é.

São Carlos do Brasil, rogai por nós!

 

Padre Antonio

Diocese de Itumbiara


Fonte: Icabense




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